Enqüanto as eleições brasileiras vão na base da briga de egos e do horário político transmitido às moscas, lá fora algumas iniciativas interessantes tomam forma.
A Suécia, que também enfrenta um pleito em 2006, já abriga um partido político dedicado à discussão da livre produção e difusão de cultura e informação, batizado ironicamente de Partido Pirata.

Fundado no começo do ano, o grupo lançou no dia 28 um candidato oficial, seu idealizador Rickard Falkvinge, blogueiro e ex-funcionário da Microsoft.
O manifesto do partido, de 15 páginas, vai de encontro direto ao Data Retenction Act, aprovado em novembro de 2005 pela União Européia para controlar com mais eficiência a transmissão de dados pela web (e, de quebra, tentar barrar a livre troca de material pirateado).
No texto, os suecos defendem a livre e anônima transmissão de dados e, conseqüentemente, uma nova visão do copyright, da propriedade intelectual e das patentes registradas. Eles reduzem tudo aos códigos binários que formam os arquivos eletrônicos - ou seja, ler um e.mail pessoal e baixar o disco novo do Bob Dylan, no fundo, é a mesma coisa.
Além de utopia longínqua, o Piratpartiet tem, com seus oito mil afiliados, chances reais de eleger membros para o parlamento nas eleições, marcadas para o final de setembro. Segundo reportes, inclusive, os principais partidos locais mudaram suas visões sobre esses temas depois que os piratas começaram a ganhar popularidade.
Depois da iniciativa dos suecos, o Partido Pirata ganhou filiais registradas em diversos países - Bélgica, França, Itália, Áustria (segundo a já se candidatar às eleições locais deste ano), Espanha, Rússia, Polônia, Alemanha e, sempre mais delicado nesse assunto de luta por direito autoral, os EUA - que aproveitou o mítico 04/07, dia da independência.
(Ironia fina, o grupo também viu a aparição de um domínio britânico, anônimo, que fazem questão de deixar claro que não faz parte dos oficiais - um partido pirata… pirata!)
E o Brasil, nessa história? Alguém tem culhão?
Update: acabei de abrir o jornal e vi que a Folha publicou hoje uma matéria sobre o assunto no caderno de Informática.

